Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Perdas e ganhos - 163

No ônibus, percebi que não pensava em você. De um dia para outro, você me perdeu... deixou-me escapar pelos seus dedos, nos quais não é possível encontrar marcas de outras vidas. Ludibriado por palavras clichês, você sonha com mares desconhecidos... sozinho! Não, eu não o impediria de nadar em águas límpidas ou turvas... É bem provável que eu te emprestaria minha roupa de mergulho. Bastava pedir. Mas, se por um lado você deseja treinar os milhares de quilômetros sozinho, o que eu posso fazer é tomar um sol na secura do concreto desfeito. São perdas e ganhos... Um sol de rachar sobre minha cabeça... E eu, no mesmo ônibus onde não pensava em você, sorri ao avistar uma garota de cabelos curtos, aura hippie e vontade de pular a janela.

Sábado, Agosto 08, 2009

Permita-se! - 162

Veja, está chegando um avião. Permita-se: crie asas e vá voar... descobrir um gosto gostoso no lanche do fast food. Ver que há poesia na axé music. Observar um livro quase esquecido na livraria mais pop da avenida mais movimentada da sua cidade. Perceber que o sorriso, às vezes, é sem graça. Escutar o barulho da guitarra distorcida na minha tentativa de compor uma nova música. Sentir o gosto amargo da pinga, mesmo contrariado. Rever os ídolos e, sem medo de ser feliz, pedir um autógrafo. Sonhar o pesadelo que te causa medo. Abrir a porta da sua casa para os mais conhecidos e não para aqueles que acabou de encontrar, ao acaso, na rua. Escrever o diário da vida de quem não vive. Dançar aquela canção que já cansou de ouvir no rádio. Criar um jeito diferente de olhar nos olhos. Ficar quieto e, assim, ouvir o que nunca quis dizer.

P.S: "Se você não se distrai, o amor não chega/ A sua música não toca/ O acaso vira espera e sufoca" ("Distração", de Christian Oyens e Zélia Duncan)

Sábado, Agosto 01, 2009

Um título - 161

Foi tão de repente que eu li aquele título... "Viajo porque preciso, volto porque te amo". E, em um gesto simples (virar a página do jornal), eu me deparei com duas frases que, juntas, sintetizam o que não esqueço de pensar nenhum dia sequer. Eu volto para tantos lugares por causa de você. E, se fujo, se me escondo atrás da porta, é porque quero descobrir na solidão do meu abraço respostas concretas. Preciso ir para outros planetas, mergulhar na estrela mais distante e me assustar com o brilho dos seus olhos tão azuis quanto a cor da caneta azul Bic, jogada no chão sem tapete do meu quarto. Está frio... não tenho blusa. Estou em outro lugar... Não do seu lado, mas ao meu lado. Meu coração está quente agora... querendo pegar uma cor para ficar mais vermelho. Em breve, mando as fotos...

Quarta-feira, Julho 29, 2009

Perseguição - 160

Cheguei a pensar que detestaria sua presença em minha sombra. Seus falsos passos, muitas vezes, me incomodavam. Neste segundo, porém, alegra-me saber que, da esquina, você espia o que eu faço. Ou, escondido no nosso esconderijo, você observa o que eu não faço de maneira alguma. O rato, agora, talvez seja eu. Você seria o gato? Provavelmente, não. Prefiro dizer que, com seus óculos insubstituíveis, você apenas é um onipresente. Assim como eu brinquei de ser...

Sábado, Julho 25, 2009

Não vá embora - 159

Não me abandone. Não esqueça de me ligar para dizer "boa noite" e, caso lembre, para já me desejar "bom dia". Não esqueça de lembrar de mim quando passar por aquele velho boteco, onde, geralmente, escondo minhas lágrimas. Não esqueça de visualizar o meu rosto quando pegar o livro que te dei... ou melhor, ao ler aquela mesma página onde deixei marcas de batom, de cerveja, de tristeza. Não esqueça de enviar cartas para me dizer onde devo me situar... estou me encontrando. E, ao final da caminhada, quero avistá-lo na minha frente ou no retrovisor.

P.S: "So don't go away/ Say what you say/ But say that you'll stay/ Forever and a day... in the time of my life/ 'Cause I need more time, yes I need more time/ Just to make things right" ("Don't Go Away", do Oasis)

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Repeat with me... in english! - 158

Quando eu avistei o mar, tive a certeza de que te amei por alguns segundos... Revi quase toda a cena: me equilibrando em barbantes, correria até as escadas, gritaria o seu nome, você fecharia os olhos... e nós iríamos nos beijar. Um beijo de adeus, um beijo de nunca mais quero te ver. Eu novamente perdi a oportunidade de segurar a sua mão... a mesma mão que, tantas vezes, quis me tocar, mas pensou, pensou e procurou, talvez, tocar outras superfícies. Menos complicadas! Você mudou a minha vida... e eu tenho a certeza de que mudei a sua ao mostrar os meus demônios e quase esconder os meus anjos. O céu é imenso... o mar, infelizmente, também é. Da próxima vez, quando eu visitar o mar, não estarei entoando nenhuma lenda da sereia... se estiver concentrado, estarei mirando algum lado lá longe a fim de encontrar sua pele bronzeada e seus olhos ora verdes ora azuis.

When I saw the sea, I was sure that I loved you for some seconds... I saw again the scene: I would run up to stairs, I would scream your name, you would close your eyes... and I would kiss you. A goodbye kiss, an I am never going to see you again kiss. I lost the opportunity of holding your hand.... the same hand that, sometimes, wanted to touch me, but it thought, it thought and looked for other places. Less complicated! You have changed my life... and I know I have changed yours. when I showed you my demons and hid my angels. The sky is huge... so is the sea! When I see the sea again, I am not going to sing any song... if I have concentraded, I will be watching something so far, because I wanna find your skin and your blue and green eyes.

P.S: "Eram jovens, educados e ambos virgens nessa noite, su anoite de núpcias, e viviam num tempo em que conversar sobre as dificuldades sexuais era completamente impossível. Mas nunca é fácil" (trecho de "Na Praia", de Ian McEwan)

Sábado, Julho 18, 2009

Para fora - 157

O meu vocabulário é outro. Passa, talvez, por uma nova revisão. Já pensei em tirar a palavra "você" para colocar outro absurdo. Já pensei em deletar palavras belas, para sentir o açoite das letras garrafais rudes. Mas, há algum tempo, não penso em vingança... por que pensaria?... ou em até mesmo em um doce lamento. Eu sigo em frente, olhando para os lados... há sorrisos belos, há risadas engraçadas, há brilho, há novidade... Qual a próxima estação? Onde eu estou? A placa indica para qual direção?

P.S: "É bom saber, andar acompanhado de ti, faz meu coração se sentir melhor" ("É Bom Andar a Pé", Simoninha)